Fez a cena, ensinuou-se,
Quente e terna a boca me beijou.
Tirou a roupa
Nossos infinitos se encontraram
Olhei pra cima e vi você, sacana e nua.
A respiração exausta e o corpo em brasa
Falou baixinho: ...
(O quê?)
Não ouvi.
Perderam os sentidos.
Procurou a boca
Atravessava o corpo
Me achou.
Sentiu; quente.
A mão infinda
Desceu
Ofegante e fraca
Tentou falar
Não falou.
(...)
O corpo, exausto e árduo
Debruçou sobre o meu peito fraco
Não vai embora: ela suspirou.
Echoes of silence
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Meio blue, meio jazz
Ainda durmo ouvindo aquelas rádios, você sabe, sempre fui meio meio blue, meio jazz, meio zen, meio blá. No começo você achava estranho, depois pedia pra eu colocar. E sempre toca aquela: “fazer amor de madrugada, amor com jeito de virada…” que nunca saiu da nossa playlist. Ah, meu bem, quanta loucura, não? O chuveiro, o cinzeiro, o cigarro, a janela, o gozo, a lua! O que é que a vida fez (ou desfez?) da nossa embriaguez noite à fora, noite adentro? E toca sempre aquela: “how deep is your love?”, também, que você sempre riu da minha cara. Mas você ria da música, agora você ri mesmo é da minha cara. “É, acho que eu vou embora…” E quem escreveu a nossa história já sabia que eu iria mesmo? Não, digo, que eu iria porque você me mandaria. Eu jamais teria ido se você não me mandasse. Eu não queria falar, não era pra sair assim, não queria que soubesse, mesmo, mas é que, você sabe, eu não iria. Por falar nisso, você sabe que não acredito mais em destino, Dindi? É, eu sei, eu disse mesmo pra você aquela vez, que destino isso, que destino aquilo, você passou a acreditar. Mas quem escreveu a nossa história, escreveu errado, e não me contou que de destino ninguém sabe, destino é uma ruína, um pensamento auto-destrutivo, que você cria, acredita e BUM! Ah, meu bem, quanta loucura… Mas isso você precisa saber, isso eu quero mesmo que você saiba: Ainda tenho a lua. Só que hoje a noite não tem luar.
Vão da madrugada
Se eu contei sobre os meus medos, é porque com você não tinha medo. E eu que nunca gostei de bagunça, quando você me disse que era uma, achei engraçado, até gostei. Mas você foi covarde, meu amor, saiu no vão da madrugada, para que eu não ouvisse as tuas pegadas firmes que me assombravam toda vez que eu as ouvia e num segundo de susto, repentinamente acordava. Mas essa, especialmente essa (maldita madrugada!) eu não acordei. Você sabe, já estava acostumada, que mesmo quando nos soltavámos durante a noite, ainda assim, na manhã seguinte te encontraria. No mesmo ângulo, que de tão você, era seu: de lado, encolhida, e os olhos gigantes, quietos, adormecidos e sem anunciar nenhuma urgência, fazia os teus cílios parecerem maiores do que eles já eram. E as sardas, de madrugada, céu limpo, quase dia, ficavam sempre mais visíveis na sua pele clara. Os pés gelados, conduzidos pelo movimento do inconsciente e do sono, despercebidos sempre iam de encontro aos meus. Me arrepiava toda vez, mas eu gostava. Era uma forma de provar pra mim mesmo que embora você parecesse mais um sonho do que uma pessoa, estava ali. Agora o teu respirar falho enquanto dormia, ah, esse eu confesso que nunca me acostumei. Deus! Foi aí que eu comecei a sentir medo. Duas primaveras sabendo dessas suas manias do sono e eu ainda sentia tanto medo. E você ria. Às vezes, penso até que você foi embora por conta disso, sabe? Porque eu me camuflei no medo, tudo em mim era medo. Eu era o medo. Vai ver você também sentiu medo. Eu também sentiria, mas acontece que agora não sinto nada, quem dirá medo, meu bem…
PS: Se por acaso sentir saudade, sou eu.
Virei saudade.
Despida de roupa, de alma e de medo:
Sua
Nua
Crua.
PS: Se por acaso sentir saudade, sou eu.
Virei saudade.
Despida de roupa, de alma e de medo:
Sua
Nua
Crua.
Regar para florir
Aqui de longe (ou de perto?)
O mar é sempre um mistério.
E essas ondas enfurencidas
Como quem ama em desespero
Sentado e inarredável
Os meus olhos quase que viram você.
Apressada
Abstrata
Distante
Desfeita.
De nada, foi um prazer.
(...)
Aqui, em cada grão, no aconchego desse chão
Parece até o alento do colo ausente de quem eu falo
Ah, e não tem amor que dê jeito
O vai e vem dessas ondas que me ferem
E que me regam o peito.
Feito os desfechos incabíveis
Do nosso amor inacabado.
Também não me ves, porque és ausência.
Te vejo porque sou companhia, cicatrizada.
Mar aberto, calmo
Cheio de tudo e cheio de nada.
Eu te fumo. Tu me tragas?
Flor. Desabrochada.
O mar é sempre um mistério.
E essas ondas enfurencidas
Como quem ama em desespero
Sentado e inarredável
Os meus olhos quase que viram você.
Apressada
Abstrata
Distante
Desfeita.
De nada, foi um prazer.
(...)
Aqui, em cada grão, no aconchego desse chão
Parece até o alento do colo ausente de quem eu falo
Ah, e não tem amor que dê jeito
O vai e vem dessas ondas que me ferem
E que me regam o peito.
Feito os desfechos incabíveis
Do nosso amor inacabado.
Também não me ves, porque és ausência.
Te vejo porque sou companhia, cicatrizada.
Mar aberto, calmo
Cheio de tudo e cheio de nada.
Eu te fumo. Tu me tragas?
Flor. Desabrochada.
Ausência tua
Olhei para o lado: Vazio.
Ausência tua ou ausência minha?
Janela aberta, cigarro aceso.
A brasa diluindo fez-se parte das luzes e do tempo
Lá fora, o vento, o caos, o barulho
Olhando aqui de cima nada parece urgente.
Mas aqui dentro, a sua voz,
A minha voz,
Num compasso rápido,
Embaralhando tudo.
A janela em desespero
E o interior grita socorro.
Bateu.
Cheiro doce esse teu, amargo nos meus lábios
Seus.
Era o vento me beijando.
Silêncio. Escureceu.
(Ausência tua)
Assinar:
Postagens (Atom)