sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Meio blue, meio jazz
Ainda durmo ouvindo aquelas rádios, você sabe, sempre fui meio meio blue, meio jazz, meio zen, meio blá. No começo você achava estranho, depois pedia pra eu colocar. E sempre toca aquela: “fazer amor de madrugada, amor com jeito de virada…” que nunca saiu da nossa playlist. Ah, meu bem, quanta loucura, não? O chuveiro, o cinzeiro, o cigarro, a janela, o gozo, a lua! O que é que a vida fez (ou desfez?) da nossa embriaguez noite à fora, noite adentro? E toca sempre aquela: “how deep is your love?”, também, que você sempre riu da minha cara. Mas você ria da música, agora você ri mesmo é da minha cara. “É, acho que eu vou embora…” E quem escreveu a nossa história já sabia que eu iria mesmo? Não, digo, que eu iria porque você me mandaria. Eu jamais teria ido se você não me mandasse. Eu não queria falar, não era pra sair assim, não queria que soubesse, mesmo, mas é que, você sabe, eu não iria. Por falar nisso, você sabe que não acredito mais em destino, Dindi? É, eu sei, eu disse mesmo pra você aquela vez, que destino isso, que destino aquilo, você passou a acreditar. Mas quem escreveu a nossa história, escreveu errado, e não me contou que de destino ninguém sabe, destino é uma ruína, um pensamento auto-destrutivo, que você cria, acredita e BUM! Ah, meu bem, quanta loucura… Mas isso você precisa saber, isso eu quero mesmo que você saiba: Ainda tenho a lua. Só que hoje a noite não tem luar.
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